Olá pessoal, tudo certo? O post de hoje é sobre as aulas dadas nos dia 01/09 e 08/09 nas turmas 1000 e 1001, respectivamente. O tema é Darwinismo Social.
Charles Darwin foi um naturalista britânico que, em seu livro A Origem das Espécies desenvolveu a teoria de que os seres vivos se transformavam a partir da capacidade de adaptação: os organismos que melhor se adaptavam ao meio em que viviam conseguiriam sobreviver, pois repassariam a capacidade de adaptação para seus descendentes. Os organismos que não fossem capazes de se adaptar estariam condenados à extinção. Daí surgem termos conhecidos como seleção natural e só os mais fortes sobrevivem.
Alguns cientistas positivistas do século XIX acreditavam que a teoria de evolução biológica de Darwin poderia servir também para analisar sociedades. Partia-se do princípio que algumas sociedades/civilizações possuiam características, culturas e valores que os tornavam superiores se comparadas com outros povos. Surgia assim, o Darwinismo Social.
É importante lembrar que o século XIX marcou o período da Revolução Industrial, que teve seu ápice na Europa. Assim, acreditava-se que os europeus industriais eram o que havia de mais desenvolvido em termos de sociedade e que os povos africanos e asiáticos eram fósseis vivos da civilização européia. Era a desculpa perfeita para os europeus invadirem essas terras, acabar com a cultura desses povos, explorá-los e impor a cultura européia. Faziam isso com a desculpa de levar a evolução e o progresso para esses povos.
A contradição entre a ideia de Charles Darwin e o Darwinismo Social é que a primeira levava em consideração aspectos biológicos e não trabalhava com a questão de superior/inferior. Tudo era questão de ter características de adaptação ao meio. Uma mesma espécie pode ser altamente adptavel no frio e não resistir ao calor, por exemplo. Já o Darwinismo Social levava em conta um determinado povo como superior: o europeu do século XIX foi um exemplo. Só que a própria Europa era desigual. Poucos desfrutavam do progresso e da riqueza às custas de muitos que eram explorados e viviam em condições de miséria.
O vídeo abaixo fala um pouco mais do Darwinismo Social. É narrado em português de Portugal e o áudio não é dos melhores, mas com atenção dá pra entender tudo numa boa.
Bom domingo, pessoal, e boa semana de prova para todos!
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domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O estudo, a busca da verdade e da beleza , são domínios em que nos é consentido sermos criança por toda a vida (Albert Einstein)
Boa tarde pessoal, tudo bem? O post de hoje é sobre a aula de filosofia do dia 03/09 na turma 2000. O assunto foi a filosofia empirista de David Hume.
Hume era um pensador empirista que viveu no ápice do Iluminismo. E toda aquela conversa de século das luzes, liberdade de ideias - na opinião de Hume - fez com que surgissem todo tipo de teorias, algumas bem complicadas. A partir disso, na luta para acabar com teorias duvidosas e obscuras, Hume se fez as seguintes perguntas: De onde vêm nossas ideias? Como se formam nossos conhecimentos?
Para encontrar essas respostas, Hume acreditava que o homem deveria voltar seus pensamentos para sua relação com o cotidiano: todo conhecimento válido é aquele baseado em experiências. Nos voltando só para esse tipo de conhecimento, o mundo se torna um lugar mais nítido, mais fácil de ser entendido.
Hume acreditava também que os pensamentos humanos se dividiam em impressões (percepção imediata da realidade) e ideias (lembrança da impressão, aquilo que fixa a impressão na mente) e que elas podem ser simples ou complexas. Na aula falei da diferença entre ideias/impressões simples e complexas. Lembram do exemplo do anjo ou do crocofante?
Hume alertou para o fato de que nossos hábitos, nossas ideias preconcebidas, nos impedem de vivenciar o mundo em sua totalidade. As leis de causa e efeito e leis imutaveis da natureza acabam se resumindo a questões de hábito: quando jogamos um giz no chão, todo mundo espera que o giz caia. Se ele não cair, ficaríamos surpresos, mas um criança não ficaria, pois ela ainda não se encheu de expectativas, hábitos e ideias preconcebidas. Por isso elas fazem perguntas que as vezes desconcertam os adultos.
A partir desse pensamento, Hume deixa dois ensinamentos para nós:
a) Não deixar que sentenças do ser (descritivas) virem regras (normativas). Exemplo: Cada vez mais pessoas morrem em acidentes de carro, então vamos andar a pé. Ou, cada vez mais pessoas viajam de avião, então vamos construir aeroportos.
b) A razão nos leva a conclusões preguiçosas, das quais cremos ter absoluta certeza e por isso não colocamos nunca em dúvida, nunca conferimos. Isso não é uma atitude inteligente. Devemos sempre nos questionar de onde vieram nossas ideias e como as nossas razões se formaram. A ciência está até hoje se perguntando como isso acontece.
Hume era um pensador empirista que viveu no ápice do Iluminismo. E toda aquela conversa de século das luzes, liberdade de ideias - na opinião de Hume - fez com que surgissem todo tipo de teorias, algumas bem complicadas. A partir disso, na luta para acabar com teorias duvidosas e obscuras, Hume se fez as seguintes perguntas: De onde vêm nossas ideias? Como se formam nossos conhecimentos?
Para encontrar essas respostas, Hume acreditava que o homem deveria voltar seus pensamentos para sua relação com o cotidiano: todo conhecimento válido é aquele baseado em experiências. Nos voltando só para esse tipo de conhecimento, o mundo se torna um lugar mais nítido, mais fácil de ser entendido.
Hume acreditava também que os pensamentos humanos se dividiam em impressões (percepção imediata da realidade) e ideias (lembrança da impressão, aquilo que fixa a impressão na mente) e que elas podem ser simples ou complexas. Na aula falei da diferença entre ideias/impressões simples e complexas. Lembram do exemplo do anjo ou do crocofante?
Hume alertou para o fato de que nossos hábitos, nossas ideias preconcebidas, nos impedem de vivenciar o mundo em sua totalidade. As leis de causa e efeito e leis imutaveis da natureza acabam se resumindo a questões de hábito: quando jogamos um giz no chão, todo mundo espera que o giz caia. Se ele não cair, ficaríamos surpresos, mas um criança não ficaria, pois ela ainda não se encheu de expectativas, hábitos e ideias preconcebidas. Por isso elas fazem perguntas que as vezes desconcertam os adultos.
A partir desse pensamento, Hume deixa dois ensinamentos para nós:
a) Não deixar que sentenças do ser (descritivas) virem regras (normativas). Exemplo: Cada vez mais pessoas morrem em acidentes de carro, então vamos andar a pé. Ou, cada vez mais pessoas viajam de avião, então vamos construir aeroportos.
b) A razão nos leva a conclusões preguiçosas, das quais cremos ter absoluta certeza e por isso não colocamos nunca em dúvida, nunca conferimos. Isso não é uma atitude inteligente. Devemos sempre nos questionar de onde vieram nossas ideias e como as nossas razões se formaram. A ciência está até hoje se perguntando como isso acontece.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Os tipos de dominação
Olá pessoal. Esse post é sobre o conteudo que prometi hoje no segundo ano: Weber e os três tipos de dominação. Quando começamos a estudar Weber, falamos sobre as ações sociais que dão sentido a sociedade. No texto de hoje, vamos entender um pouco sobre a maneira pela qual as relações sociais se mantém.
Para que um grupo social funcione, é preciso que existe uma certa hierarquia, uma organização. Isso supõe que algumas pessoas liderem de alguma forma e que outras pessoas acatem essa liderança. Vamos ver agora quais são os tipos de dominação e como elas se legitimam:
1) Dominação Legal é aquela que segue regras no estilo de uma lei, um estatuto, que criam e modificam as regras. Um grupo dominante é escolhido e nomeado. Aqui a dominação se baseia em funções, pagamentos e regras fixas, sem considerar questões pessoais ou sentimentais. Os elementos inferiores são subordinados aos superiores, como manda o estatuto.
Exemplos de dominação legal: empresas atuais onde os funcionarios são subordinados aos patrões. Todos tem uma formação profissional, recebem um salário, seguem normas de um estatuto e estão sob a vigência de um contrato.
2) Dominação Tradicional é aquela que segue tradições, costumes e ações cotidianas. A liderança exercida aqui se dá através do hábito e da fidelidade. Um exemplo clássico é a família patriarcal onde a crença nos poderes do patriarca vem desde sempre. O poder reside na figura do patriarca, todos são dependentes dele e contra ele não existe nenhuma garantia. No Brasil, vivenciamos muito isso na época do das casas-grandes, com a figura dos senhores de engenho, que eram os chefes de família e respeitado por todos. Hoje, com as mudanças na organização das famílias e com a chegada de relações mais democráticas na mesma, esse tipo de dominação é escasso. Um pequeno exemplo em vídeo
3) Dominação Carismática é aquela em que a dominação se apoia na crença que os dominados tem nas qualidades do líder. Tem a ver com o carisma, com afetividade, com alguma habilidade especial que o líder possua e cative os dominados: coragem, inteligencia, heroísmo, faculdades milagrosas... Aqui a dominação não tem garantia de contrato ou tradição: o líder tem que se mostrar capaz por meio de êxitos. Se o êxito falha, a dominação se perde. Um exemplo clássico são as igrejas e templos onde as pessoas procuram um líder espiritual que os oriente. Pode também ser o caso de eleitores que confiam muito na figura de um político, como vemos no populismo (lembrar que Getúlio Vargas era conhecido como o pai dos pobres, tamanha a adoração que o povo tinha por ele?).
Na próxima aula comento mais sobre o assunto e tiro as dúvidas para a prova. Bom feriado, pessoal!
Para que um grupo social funcione, é preciso que existe uma certa hierarquia, uma organização. Isso supõe que algumas pessoas liderem de alguma forma e que outras pessoas acatem essa liderança. Vamos ver agora quais são os tipos de dominação e como elas se legitimam:
1) Dominação Legal é aquela que segue regras no estilo de uma lei, um estatuto, que criam e modificam as regras. Um grupo dominante é escolhido e nomeado. Aqui a dominação se baseia em funções, pagamentos e regras fixas, sem considerar questões pessoais ou sentimentais. Os elementos inferiores são subordinados aos superiores, como manda o estatuto.
Exemplos de dominação legal: empresas atuais onde os funcionarios são subordinados aos patrões. Todos tem uma formação profissional, recebem um salário, seguem normas de um estatuto e estão sob a vigência de um contrato.
2) Dominação Tradicional é aquela que segue tradições, costumes e ações cotidianas. A liderança exercida aqui se dá através do hábito e da fidelidade. Um exemplo clássico é a família patriarcal onde a crença nos poderes do patriarca vem desde sempre. O poder reside na figura do patriarca, todos são dependentes dele e contra ele não existe nenhuma garantia. No Brasil, vivenciamos muito isso na época do das casas-grandes, com a figura dos senhores de engenho, que eram os chefes de família e respeitado por todos. Hoje, com as mudanças na organização das famílias e com a chegada de relações mais democráticas na mesma, esse tipo de dominação é escasso. Um pequeno exemplo em vídeo
3) Dominação Carismática é aquela em que a dominação se apoia na crença que os dominados tem nas qualidades do líder. Tem a ver com o carisma, com afetividade, com alguma habilidade especial que o líder possua e cative os dominados: coragem, inteligencia, heroísmo, faculdades milagrosas... Aqui a dominação não tem garantia de contrato ou tradição: o líder tem que se mostrar capaz por meio de êxitos. Se o êxito falha, a dominação se perde. Um exemplo clássico são as igrejas e templos onde as pessoas procuram um líder espiritual que os oriente. Pode também ser o caso de eleitores que confiam muito na figura de um político, como vemos no populismo (lembrar que Getúlio Vargas era conhecido como o pai dos pobres, tamanha a adoração que o povo tinha por ele?).
Na próxima aula comento mais sobre o assunto e tiro as dúvidas para a prova. Bom feriado, pessoal!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A Morada das Almas
Esse post é sobre algumas aulas dadas nas turma 1000 (01/09) e 1001 (17/08 e 24/08). O filósofo da vez é Platão.
Principal discípulo de Sócrates, Platão procurou entender uma realidade eterna e imutável, no entanto sem deixar de lado aquilo que flui, aquilo que é passageiro. Tarefa complicada, né? Para conseguir essa tarefa, Platão falava em dois diferentes mundos:
O mundo dos sentidos é formado pelas coisas que podemos tocar e sentir, as coisas da natureza. Nesse mundo, tudo é impreciso e vultuoso. Os elementos desse mundo são imperfeitos e passageiros. Tudo que existe na natureza nasce, cresce, reproduz e morre/desintegra. Sobre as coisas desse mundo só podemos ter conhecimentos incertos. O verdadeiro conhecimento vem da razão.
O mundo das ideias é formado pelos modelos espirituais/abstratos que dão origem àquilo que vemos no mundo dos sentidos. Exemplo: Sabemos que um círculo tem 360º e que a soma dos lados de um triângulo tem 180º. Não encontramos essas medidas perfeitamente na natureza. Elas só existem no mundo das ideias. Outro exemplo é a forma (com som de ô) de empadas ou de biscoito. Depois de ir ao forno, as empadas ou os biscoitos quebram, inflam, ganham formas (com som de ó) diferentes, imperfeições. Mas a forma, a ideia original, é sempre exata, perfeita.
Assim, seria como se os biscoitos ou as empadas fossem o mundo dos sentidos: imperfeitos, imprecisos. E as forminhas fossem o mundo das ideias: sempre exatas e perfeitas. Do mundo das ideias saem as origens (perfeitas) das coisas (imperfeitas) que vemos no mundo dos sentidos. Afinal, as formas não são o que dão origem aos biscoitos e às empadas?
Para exemplificar ainda melhor isso, sobre como existe um mundo mais perfeito do que estamos acostumados a ver, falamos em sala sobre o mito da caverna de Platão. Dê uma conferida no link pra uma versão em quadrinhos. Lembrem de ir avançando até o capítulo 5. Aposto que vocês nunca tinham visto antes um gibi de filosofia! :)
Principal discípulo de Sócrates, Platão procurou entender uma realidade eterna e imutável, no entanto sem deixar de lado aquilo que flui, aquilo que é passageiro. Tarefa complicada, né? Para conseguir essa tarefa, Platão falava em dois diferentes mundos:
O mundo dos sentidos é formado pelas coisas que podemos tocar e sentir, as coisas da natureza. Nesse mundo, tudo é impreciso e vultuoso. Os elementos desse mundo são imperfeitos e passageiros. Tudo que existe na natureza nasce, cresce, reproduz e morre/desintegra. Sobre as coisas desse mundo só podemos ter conhecimentos incertos. O verdadeiro conhecimento vem da razão.
O mundo das ideias é formado pelos modelos espirituais/abstratos que dão origem àquilo que vemos no mundo dos sentidos. Exemplo: Sabemos que um círculo tem 360º e que a soma dos lados de um triângulo tem 180º. Não encontramos essas medidas perfeitamente na natureza. Elas só existem no mundo das ideias. Outro exemplo é a forma (com som de ô) de empadas ou de biscoito. Depois de ir ao forno, as empadas ou os biscoitos quebram, inflam, ganham formas (com som de ó) diferentes, imperfeições. Mas a forma, a ideia original, é sempre exata, perfeita.
Assim, seria como se os biscoitos ou as empadas fossem o mundo dos sentidos: imperfeitos, imprecisos. E as forminhas fossem o mundo das ideias: sempre exatas e perfeitas. Do mundo das ideias saem as origens (perfeitas) das coisas (imperfeitas) que vemos no mundo dos sentidos. Afinal, as formas não são o que dão origem aos biscoitos e às empadas?
Para exemplificar ainda melhor isso, sobre como existe um mundo mais perfeito do que estamos acostumados a ver, falamos em sala sobre o mito da caverna de Platão. Dê uma conferida no link pra uma versão em quadrinhos. Lembrem de ir avançando até o capítulo 5. Aposto que vocês nunca tinham visto antes um gibi de filosofia! :)
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
O que é um tipo ideal?
E aí, pessoas, tudo bem? Depois de um longo fim de semana, é hora de voltar ao trabalho: esse post é sobre a aula do dia 27/08 na turma 2000. Continuamos a falar sobre a sociologia de Max Weber e dessa vez o assunto foi o tipo ideal:
O tipo ideal é, se assim podemos dizer, uma espécie de molde, criada por Weber. Sua principal característica é não existir na realidade. Então pra que pensar nisso? Pela sua extrema importância no momento de analisar as coisas da vida real. Sabe quando você sai de casa para comprar uma roupa ou tênis, e você já vai pelo caminho pensando em que estilo você quer? Geralmente você não compra exatamente o que queria, mas sim aquele modelo que mais se aproxima do que você pensou quando saiu de casa.
Então... o tipo ideal serve como um modelo que usamos para comparar com os casos que realmente existem na realidade. É importante lembrar que ao construir um tipo ideal, precisamos nos pautar em racionalidade e lógica, pensar não no que seria bom para você, individualmente, mas nos aspectos essencias daquele fenômeno que vai ser analisado.
Exemplificando: Digamos que vamos estudar a burocracia: Para saber se algum órgão burocrático está funcionando bem, precisamos antes saber quais são os aspectos essenciais de uma burocracia, suas características básicas para um bom funcionamento. Aí pensamos em: eficiência, especialização, impessoalidade e outras características que fazem as pessoas serem atendidas com rapidez, clareza e eficiência. Temos aí um tipo ideal de organização criado por nós, e, mesmo que ele não exista na vida real, agora podemos usá-lo para comparar com os casos concretos, reais. Fazendo isso, descobriremos que temos que repensar nossos modelos de organização, porque a palavra burocracia é sempre usada por nós como sinônimo de algo chato, demorado, pelo qual ninguem quer passar.
O tipo ideal é, se assim podemos dizer, uma espécie de molde, criada por Weber. Sua principal característica é não existir na realidade. Então pra que pensar nisso? Pela sua extrema importância no momento de analisar as coisas da vida real. Sabe quando você sai de casa para comprar uma roupa ou tênis, e você já vai pelo caminho pensando em que estilo você quer? Geralmente você não compra exatamente o que queria, mas sim aquele modelo que mais se aproxima do que você pensou quando saiu de casa.
Então... o tipo ideal serve como um modelo que usamos para comparar com os casos que realmente existem na realidade. É importante lembrar que ao construir um tipo ideal, precisamos nos pautar em racionalidade e lógica, pensar não no que seria bom para você, individualmente, mas nos aspectos essencias daquele fenômeno que vai ser analisado.
Exemplificando: Digamos que vamos estudar a burocracia: Para saber se algum órgão burocrático está funcionando bem, precisamos antes saber quais são os aspectos essenciais de uma burocracia, suas características básicas para um bom funcionamento. Aí pensamos em: eficiência, especialização, impessoalidade e outras características que fazem as pessoas serem atendidas com rapidez, clareza e eficiência. Temos aí um tipo ideal de organização criado por nós, e, mesmo que ele não exista na vida real, agora podemos usá-lo para comparar com os casos concretos, reais. Fazendo isso, descobriremos que temos que repensar nossos modelos de organização, porque a palavra burocracia é sempre usada por nós como sinônimo de algo chato, demorado, pelo qual ninguem quer passar.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
"O inferno são os outros - Jean Paul Sartre
Olá pessoal tudo bem?
No dia 13/08, a galera da turma 3000 e eu conversamos sobre a questão de identidade. Vimos que a(s) identidade(s) de um indivíduo se define(m) pela sua interação com indivíduos, culturas e grupos.
Chamamos de etnocentrismo o fenômeno pelo qual nosso grupo passa a ser o centro do mundo e todos os outros grupos são analisados, percebidos e questionados a partir dos nossos valores. Podemos dizer que o etnocentrismo tem uma dificuldade em olhar/refletir as diferenças.
Essa dificuldade da visão etnocentrica faz com que o diferente seja sempre visto como estereotipado, ridicularizado, caricaturado. Esse comercial do vídeo é um exemplo:
Programas humorísticos como o Zorra Total também sempre mostram os personagens estereotipados: o caipira, o malandro, o funkeiro, o suburbano, entre mil outros exemplos.
O oposto do etnocentrismo seria o relativismo cultural. Nessa linha de pensamento, todos os tipos de cultura são iguais em valor e devem ser olhados dentro de seus contextos. Aqui todo ponto de vista é válido e toda cultura é relativa. A questão é aceitar as diferenças dos outros grupos como uma questão de opção e não em uma escala de valores.
Então o etnocentrismo é ruim, o relativismo cultural é o máximo e ponto final? Não é bem assim. A grande questão se coloca agora: até que ponto devemos tolerar atitudes em nome do relativismo? Até que ponto devemos ser etnocentricos por uma questão de valorizar nossa identidade?
Essa discussão foi colocada em sala de aula. Mas a caixinha de comentários continua livre pra quem quiser se expressar...
No dia 13/08, a galera da turma 3000 e eu conversamos sobre a questão de identidade. Vimos que a(s) identidade(s) de um indivíduo se define(m) pela sua interação com indivíduos, culturas e grupos.
Chamamos de etnocentrismo o fenômeno pelo qual nosso grupo passa a ser o centro do mundo e todos os outros grupos são analisados, percebidos e questionados a partir dos nossos valores. Podemos dizer que o etnocentrismo tem uma dificuldade em olhar/refletir as diferenças.
Essa dificuldade da visão etnocentrica faz com que o diferente seja sempre visto como estereotipado, ridicularizado, caricaturado. Esse comercial do vídeo é um exemplo:
Programas humorísticos como o Zorra Total também sempre mostram os personagens estereotipados: o caipira, o malandro, o funkeiro, o suburbano, entre mil outros exemplos.
O oposto do etnocentrismo seria o relativismo cultural. Nessa linha de pensamento, todos os tipos de cultura são iguais em valor e devem ser olhados dentro de seus contextos. Aqui todo ponto de vista é válido e toda cultura é relativa. A questão é aceitar as diferenças dos outros grupos como uma questão de opção e não em uma escala de valores.
Então o etnocentrismo é ruim, o relativismo cultural é o máximo e ponto final? Não é bem assim. A grande questão se coloca agora: até que ponto devemos tolerar atitudes em nome do relativismo? Até que ponto devemos ser etnocentricos por uma questão de valorizar nossa identidade?
Essa discussão foi colocada em sala de aula. Mas a caixinha de comentários continua livre pra quem quiser se expressar...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
"Creio pois parece absurdo!"
Olá pessoal, tudo certo? O post de hoje é sobre o filósofo de nome difícil que estamos estudando na turma 3000: Kierkegaard.
Kierkegaard não se ligou muito nas ideias de Hegel. Criticou a postura professoral de Hegel, como se este visse o mundo de fora, não interagisse nele. Para Kierkegaard, o problema da teoria de Hegel é que a sua preocupação com o contexto histórico tirou do indivíduo a responsabilidade pela própria vida. Cada um de nós é um indivíduo que vive uma única vez, sendo assim temos uma importância muito maior do que a de meros "filhos de nossa época".
Hegel não foi o único alvo de críticas de Kierkegaard: Ele também criticou a postura evasiva e frouxa da Igreja. Que ser cristão era um senso comum, algo quase que indiferente no nosso cotidiano. Ele dizia que não se pode ser meio cristão ou cristão em algumas horas do dia.
Com isso ele queria dizer que, se acreditamos de fato que Jesus morreu na cruz por nós, devemos ter uma postura muito mais ativa em relação a isso. Ao invés de estarmos por aí indo em micaretas ou frequentando academias, deveríamos estar vivenciando nossa fé.
A subjetividade tem um papel fundamental na filosofia de Kierkegaard: para ele o importante são as questões pessoais. Quando vamos dormir não ficamos pensando em racionalidades como 3 x 3 = 9 ou sobre as Leis de Newton. Nada disso é existencialmente importante para nós. Pensamos em coisas fundamentais para nossa existência como saúde, alimentação, amor, trabalho, etc.
Por isso a frase do título do post: "Creio pois parece absurdo!". Se a existência de Deus fosse provada racionalmente, não teria valor a crença nEle. A racionalidade não é tão importante quanto a subjetividade. As questões existenciais são as verdadeiras coisas com as quais devemos nos preocupar. Algumas pesquisas atuais agradariam a Kierkegaard, já que as pessoas tendem a se preocupar com aquilo que faz parte de seu cotidiano
Kierkegaard fala ainda sobre os três estágios pelos quais o indivíduo passa: estético, ético e religioso. Conversamos sobre eles hoje (23/08) em sala de aula. Se Hegel pudesse respondê-lo, diria que a crítica de Kierkegaard a ele foi dialética. Ao mesmo tempo em que criticou a diminuição da individualidade humana, Kierkegaard traçou três estágios fixos pelos quais nós passamos. Contraditório?
Kierkegaard não se ligou muito nas ideias de Hegel. Criticou a postura professoral de Hegel, como se este visse o mundo de fora, não interagisse nele. Para Kierkegaard, o problema da teoria de Hegel é que a sua preocupação com o contexto histórico tirou do indivíduo a responsabilidade pela própria vida. Cada um de nós é um indivíduo que vive uma única vez, sendo assim temos uma importância muito maior do que a de meros "filhos de nossa época".
Hegel não foi o único alvo de críticas de Kierkegaard: Ele também criticou a postura evasiva e frouxa da Igreja. Que ser cristão era um senso comum, algo quase que indiferente no nosso cotidiano. Ele dizia que não se pode ser meio cristão ou cristão em algumas horas do dia.
Com isso ele queria dizer que, se acreditamos de fato que Jesus morreu na cruz por nós, devemos ter uma postura muito mais ativa em relação a isso. Ao invés de estarmos por aí indo em micaretas ou frequentando academias, deveríamos estar vivenciando nossa fé.
A subjetividade tem um papel fundamental na filosofia de Kierkegaard: para ele o importante são as questões pessoais. Quando vamos dormir não ficamos pensando em racionalidades como 3 x 3 = 9 ou sobre as Leis de Newton. Nada disso é existencialmente importante para nós. Pensamos em coisas fundamentais para nossa existência como saúde, alimentação, amor, trabalho, etc.
Por isso a frase do título do post: "Creio pois parece absurdo!". Se a existência de Deus fosse provada racionalmente, não teria valor a crença nEle. A racionalidade não é tão importante quanto a subjetividade. As questões existenciais são as verdadeiras coisas com as quais devemos nos preocupar. Algumas pesquisas atuais agradariam a Kierkegaard, já que as pessoas tendem a se preocupar com aquilo que faz parte de seu cotidiano
Kierkegaard fala ainda sobre os três estágios pelos quais o indivíduo passa: estético, ético e religioso. Conversamos sobre eles hoje (23/08) em sala de aula. Se Hegel pudesse respondê-lo, diria que a crítica de Kierkegaard a ele foi dialética. Ao mesmo tempo em que criticou a diminuição da individualidade humana, Kierkegaard traçou três estágios fixos pelos quais nós passamos. Contraditório?
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