Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador sociologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociologia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A formação da sociedade brasileira por Gilberto Freyre

Em Casa-Grande & Senzala, Gilberto Freyre destaca a sociedade brasileira como fruto da miscigenação entre índios, negros e portugueses. Essa mistura é, para Freyre, caracterizada por um processo de equilíbrio de antagonismos, onde os conflitos se harmonizam. E esse equilíbrio, que gerou o mito da “democracia racial”, só se faz possível devido a uma singularidade do português dentre os povos europeus: a adaptabilidade.

Freyre destaca a habilidade dos portugueses em triunfar sob as adversidades do clima, fato que prejudicou outros povos europeus – como os nórdicos, por exemplo – na tentativa de se estabelecer no Brasil. O português possuía uma tendência para colonização híbrida e tropical em virtude de sua etnia miscigenada e a aproximação geográfica entre Portugal e África. A experiência na Península Ibérica, povoada por árabes e germânicos, além dos próprios nativos, é um exemplo dessa capacidade colonizadora. O fato de Portugal não possuir um grande contingente populacional para ocupar o Brasil de forma rápida e, além disso, possuir outras colônias na África e na Ásia que também necessitavam ser ocupadas, somado a ausência da mulher branca na colônia, colaborou também para a miscigenação das raças, visto que a mulher índia passou a ser a formadora da população brasileira.

Além disso, Freyre confere à colonização portuguesa um aspecto democratizador, ressaltando que obteve êxito ainda pelo fato de que estes eram menos rigorosos que os espanhóis, não tinham o preconceito racial dos ingleses e eram propensos – também graças à experiência da Península Ibérica – à colonização agrária e escravocrata, que tanto prosperou no Brasil. A partir disso, Essa cultura agrária e açucareira, desenvolvida no país pela mão de obra negra formou pilar para a sociedade brasileira. A família patriarcal é o principal pilar do Brasil colônia.

Freyre destaca também a importância do negro na formação de nossa sociedade, nos aspectos econômicos e culturais. Tinham grande disposição para o trabalho e habilidade em trabalhar com ferro e com agricultura. Na cultura, podemos destacar a influência negra na culinária, na religião e no idioma.

A família patriarcal é “o vivo e absorvente órgão da formação social brasileira, que reuniu sobre a base econômica da riqueza agrícola e do trabalho escravo, uma variedade de funções sociais e econômicas”. Ao reunir nas suas dependências o trabalho, a economia e a socialização entre diferentes raças e culturas, a família patriarcal assume o papel semelhante ao do Estado. Freyre ressalta que o sadismo e a opressão com que os senhores de engenho tratavam seus escravos podem ter reflexo na característica autoritária da sociedade e da política brasileira, por se tratar de uma forte questão cultural.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Durkheim e o fato social

O interesse era a compreensão do funcionamento das formas padronizadas de conduta (consciência coletiva) por esta razão sua teoria também pode ser chamada de funcionalista. O comportamento do cientista social deveria ser de distanciamento e sua posição, de neutralidade em frente aos fatos sociais. Esta atitude garantiria a objetividade da sua análise.

A coerção social, sendo a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, obrigando-os a conformarem-se às regras impostas pela sociedade em que vivem, não havendo, contudo, a vontade ou escolha dos indivíduos: idioma; formação familiar; código de leis. A coerção é constatada pelas sanções que serão impostas ao indivíduo, caso ele venha a se rebelar.

A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam sobre os indivíduos, cuja vontade própria independe da vontade ou adesão consciente, sendo denominada como: exterior aos indivíduos. As regras sociais, os costumes, as leis são existentes antes até do nascimento das pessoas, que deverão obedecê-las sob a pena de punições.

A terceira característica é a generalidade. Os fatos sociais se manifestam através da natureza coletiva ou um estado comum ao grupo, a exemplo, os sentimentos e a moral.

"É social todo fato que é geral." A generalidade de um fato social, ou seja, sua unanimidade, é garantia de normalidade na medida em que representa o consenso social, a vontade coletiva, ou o acordo de um grupo a respeito de determinada questão.

O normal é aquilo que é ao mesmo tempo obrigatório para o indivíduo e superior a ele, o que significa que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais, antes mesmo de ter uma existência tangível.

Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Mesmo havendo a "consciência individual", poderão ser notados no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os movimentos sociais

Olá galera, tudo certo? O post de hoje é sobre o tema de sociologia no quarto bimestre da turma 2000: Movimentos Sociais!

Os movimentos sociais são um fenômeno da sociedade pós-capitalista e trabalham para, de alguma maneira, mudar a forma de organização da sociedade em que estão inseridos. Isso quer dizer que os movimentos sociais são manifestações de um determinado grupo da sociedade que, insatisfeito com algo, busca mudar a estrutura vigente no Estado. Cada movimento social tem sua forma específica de atuação (Paradas gays, Invasão de Terras não-produtivas, greve) e isso dá a eles uma identidade própria dentro da sociedade.

Outra característica dos movimentos sociais é que eles não tem nenhuma relação com partidos políticos (pelo menos teoricamente), tem relativa autonomia e isso traz novos atores ao processo político. Cidadãos "comuns", tipo vocês alunos e eu, passam a participar politicamente da sociedade.

Um poder que os movimentos sociais têm é o de dar voz a setores da base da sociedade. Pessoas que não tem espaço na mídia individualmente conseguem através de movimentos sociais fazer com que muitas pessoas fiquem cientes de suas reivindicações. Se um grupo de pessoas quer a mesma coisa, elas se organizam e através da participação popular "correm atrás".

Os movimentos sociais tem dois momentos distintos: o primeiro é expor o problema para o restante da população. Expor claramente o problema. Isso se faz através de passeatas, greve, manifestações ou coisa do tipo. O segundo momento, é levar para os governantes propostas viáveis de realização de suas vontades, para contornar o problema. Para isso é preciso um mínimo de organização e coerência.

Os movimentos sociais são símbolo de maturidade política de uma sociedade. Isso significa que pessoas da sociedade se mobilizam para obter algo que acreditam ter direito. Não podemos esperar tudo de mão beijada, certo?

Deixo aqui um vídeo muito legal sobre tipos de movimentos sociais. Assistam, vale a pena!


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Toda história é a história da luta de classes"

Atenção galera da turma 3000. Me desculpem pelo post longo, mas pra tratar de Marx, tem que ser bem detalhado mesmo. Aqui vamos nós:

Influenciado pela forma de pensar de Hegel, Marx dizia que os filósofos sempre tentaram interpretar o mundo ao invés de modificá-lo. Sua filosofia tem um objetivo prático e político.

Marx ficou conhecido como um Materialista Histórico: acreditava que eram as condições de vida em uma sociedade que determinavam seus pensamentos e consciência e que as condições materiais de vida eram decisivas para a história. As forças econômicas são responsáveis pelas mudanças em todos os outros setores da sociedade

As relações econômicas, materiais e sociais formam a base de uma sociedade, sustentam os pensamentos e idéias dessa sociedade. A força de produção de uma sociedade determina as relações político e ideológicas que encontramos nela. O moralmente correto vai ser definido pela base social (entre os camponeses, os pais determinavam com quem você ia casar, de olho nas terras).

Toda história é a história da luta de classes, de quem controla os modos de produção. Quem tem o poder não abre mão dele livremente. Só a revolução muda as coisas. Essa é a essência do pensamento marxista.

Marx acreditava ainda que o conhecimento do homem está intimamente ligado ao seu trabalho. O modo como trabalhamos altera nossa consciência e vice-versa. O trabalho é positivo, inerente à condição humana. A partir disso surge a crítica de Marx ao capitalismo: o trabalhador trabalha para outra pessoa, de forma que seu trabalho não lhe pertence. O trabalhador se aliena em relação ao seu trabalho, a si mesmo e perde dignidade humana.

Na ultima aula trabalhamos detalhadamente alguns conceitos utilizados por Marx para montar sua teoria:

FORÇA PRODUTIVA = meios de produção + trabalho humano.

Todo processo produtivo combina os meios de produção e a força de trabalho. Constituem as condições materiais de toda a produção. Sem o trabalho humano nada pode ser produzido e sem os meios de produção, o homem não pode trabalhar. Todo processo de trabalho implica em determinados objetos (matérias-primas) e determinados instrumentos (ferramentas ou máquinas). Os objetos e instrumentos constituem os meios de produção. O proletariado constitui a força de trabalho

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO: formas pelas quais os homens se organizam para executar a atividade produtiva. As relações de produção podem ser cooperativistas (mutirão), escravistas (como na Antiguidade européia ou período colonial brasileiro), servis (como na Europa feudal) ou capitalistas (como na indústria moderna).

CLASSE SOCIAL: grupo de pessoas que tem status social similar segundo critérios diversos, especialmente o econômico. Segundo a ótica marxista, em praticamente toda sociedade, seja ela pré-capitalista ou caracterizada por um capitalismo desenvolvido, existe a classe dominante, que controla direta ou indiretamente o Estado, e as classes dominadas por ela, reproduzida inexoravelmente por uma estrutura social implantada pela classe dominante.

ALIENAÇÃO: A separação do trabalho, em todas as suas instâncias, aliena o trabalhador, que não se reconhece mais em uma atividade - porque ele faz apenas uma peça de um carro em uma escala produtiva e não tem a visão do conjunto, por exemplo - e porque acaba desenvolvendo apenas uma de suas habilidades, seja braçal ou intelectual, provocando, com isso também, uma divisão social do trabalho.

MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO: O que Marx trouxe de original foi uma análise dialética das relações sociais e econômicas (as bases materiais e concretas da sociedade) que explicava fatos históricos e culturais, como chegamos à exploração de hoje. Na dialética marxista, a burguesia seria a tese - e o proletariado, sua antítese. A síntese seria a superação da sociedade de classes por uma sem classes, o comunismo. As crises do capitalismo, então, decorreriam dos conflitos entre burguesia e proletariado, e seriam o prenúncio de uma superação dialética da economia política.


A sociologia de Durkheim

Olá pessoal, tudo bem? O pensador Emile Durkheim será o tema da sociologia do 4º bimestre das turmas de 1º ano. Vamos a uma pequena introdução de seu pensamento:

Emile Durkheim viveu numa época de conflitos sociais entre os empresários e os trabalhadores e em que surgiam problemas sociais como suicídio, favela, poluição, desemprego, etc.

O crescente desenvolvimento da indústria e tecnologia fez Durkheim olhar com otimismo o capitalismo. Achava que todo progresso trazido pelo capitalismo geraria um aumento da divisão do trabalho social e da solidariedade orgânica, de forma que a sociedade chegasse a um estágio sem conflito e problemas sociais.

Durkheim acreditava que, com leis e regras estabelecidas, os problemas sociais não teriam a ver com economia, mas sim com uma questão moral. Por exemplo: se a criminalidade aumenta a cada dia é porque as leis que regulamentam o combate ao crime estão falhando. Este estado de crise social onde as leis não estão funcionando, é chamado de patologia social. Se essas patologias não são devidamente tratadas, cedo ou tarde outros setores da sociedade também deixarão de funcionar, criando uma ausência total de regras, o que podemos chamar de anomia.

Frente a patologia social ( regras sociais falhas ), cabe à Sociologia captar suas causas, procurando evitar a anomia ( crise total ), através da criação de uma nova moral social que supere a velha moral deficiente.

Para evitar que a sociedade chegue à anomia, a solução estaria em organizar a sociedade a partir da solidariedade orgânica. Vimos isso no segundo bimestre, lembram?

:)



domingo, 12 de setembro de 2010

Só os mais fortes sobrevivem!

Olá pessoal, tudo certo? O post de hoje é sobre as aulas dadas nos dia 01/09 e 08/09 nas turmas 1000 e 1001, respectivamente. O tema é Darwinismo Social.

Charles Darwin foi um naturalista britânico que, em seu livro A Origem das Espécies desenvolveu a teoria de que os seres vivos se transformavam a partir da capacidade de adaptação: os organismos que melhor se adaptavam ao meio em que viviam conseguiriam sobreviver, pois repassariam a capacidade de adaptação para seus descendentes. Os organismos que não fossem capazes de se adaptar estariam condenados à extinção. Daí surgem termos conhecidos como seleção natural e só os mais fortes sobrevivem.

Alguns cientistas positivistas do século XIX acreditavam que a teoria de evolução biológica de Darwin poderia servir também para analisar sociedades. Partia-se do princípio que algumas sociedades/civilizações possuiam características, culturas e valores que os tornavam superiores se comparadas com outros povos. Surgia assim, o Darwinismo Social.

É importante lembrar que o século XIX marcou o período da Revolução Industrial, que teve seu ápice na Europa. Assim, acreditava-se que os europeus industriais eram o que havia de mais desenvolvido em termos de sociedade e que os povos africanos e asiáticos eram fósseis vivos da civilização européia. Era a desculpa perfeita para os europeus invadirem essas terras, acabar com a cultura desses povos, explorá-los e impor a cultura européia. Faziam isso com a desculpa de levar a evolução e o progresso para esses povos.

A contradição entre a ideia de Charles Darwin e o Darwinismo Social é que a primeira levava em consideração aspectos biológicos e não trabalhava com a questão de superior/inferior. Tudo era questão de ter características de adaptação ao meio. Uma mesma espécie pode ser altamente adptavel no frio e não resistir ao calor, por exemplo. Já o Darwinismo Social levava em conta um determinado povo como superior: o europeu do século XIX foi um exemplo. Só que a própria Europa era desigual. Poucos desfrutavam do progresso e da riqueza às custas de muitos que eram explorados e viviam em condições de miséria.


O vídeo abaixo fala um pouco mais do Darwinismo Social. É narrado em português de Portugal e o áudio não é dos melhores, mas com atenção dá pra entender tudo numa boa.



Bom domingo, pessoal, e boa semana de prova para todos!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os tipos de dominação

Olá pessoal. Esse post é sobre o conteudo que prometi hoje no segundo ano: Weber e os três tipos de dominação. Quando começamos a estudar Weber, falamos sobre as ações sociais que dão sentido a sociedade. No texto de hoje, vamos entender um pouco sobre a maneira pela qual as relações sociais se mantém.

Para que um grupo social funcione, é preciso que existe uma certa hierarquia, uma organização. Isso supõe que algumas pessoas liderem de alguma forma e que outras pessoas acatem essa liderança. Vamos ver agora quais são os tipos de dominação e como elas se legitimam:

1) Dominação Legal é aquela que segue regras no estilo de uma lei, um estatuto, que criam e modificam as regras. Um grupo dominante é escolhido e nomeado. Aqui a dominação se baseia em funções, pagamentos e regras fixas, sem considerar questões pessoais ou sentimentais. Os elementos inferiores são subordinados aos superiores, como manda o estatuto.
Exemplos de dominação legal: empresas atuais onde os funcionarios são subordinados aos patrões. Todos tem uma formação profissional, recebem um salário, seguem normas de um estatuto e estão sob a vigência de um contrato.


2) Dominação Tradicional é aquela que segue tradições, costumes e ações cotidianas. A liderança exercida aqui se dá através do hábito e da fidelidade. Um exemplo clássico é a família patriarcal onde a crença nos poderes do patriarca vem desde sempre. O poder reside na figura do patriarca, todos são dependentes dele e contra ele não existe nenhuma garantia. No Brasil, vivenciamos muito isso na época do das casas-grandes, com a figura dos senhores de engenho, que eram os chefes de família e respeitado por todos. Hoje, com as mudanças na organização das famílias e com a chegada de relações mais democráticas na mesma, esse tipo de dominação é escasso. Um pequeno exemplo em vídeo


3) Dominação Carismática é aquela em que a dominação se apoia na crença que os dominados tem nas qualidades do líder. Tem a ver com o carisma, com afetividade, com alguma habilidade especial que o líder possua e cative os dominados: coragem, inteligencia, heroísmo, faculdades milagrosas... Aqui a dominação não tem garantia de contrato ou tradição: o líder tem que se mostrar capaz por meio de êxitos. Se o êxito falha, a dominação se perde. Um exemplo clássico são as igrejas e templos onde as pessoas procuram um líder espiritual que os oriente. Pode também ser o caso de eleitores que confiam muito na figura de um político, como vemos no populismo (lembrar que Getúlio Vargas era conhecido como o pai dos pobres, tamanha a adoração que o povo tinha por ele?).

Na próxima aula comento mais sobre o assunto e tiro as dúvidas para a prova. Bom feriado, pessoal!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O que é um tipo ideal?

E aí, pessoas, tudo bem? Depois de um longo fim de semana, é hora de voltar ao trabalho: esse post é sobre a aula do dia 27/08 na turma 2000. Continuamos a falar sobre a sociologia de Max Weber e dessa vez o assunto foi o tipo ideal:

O tipo ideal é, se assim podemos dizer, uma espécie de molde, criada por Weber. Sua principal característica é não existir na realidade. Então pra que pensar nisso? Pela sua extrema importância no momento de analisar as coisas da vida real. Sabe quando você sai de casa para comprar uma roupa ou tênis, e você já vai pelo caminho pensando em que estilo você quer? Geralmente você não compra exatamente o que queria, mas sim aquele modelo que mais se aproxima do que você pensou quando saiu de casa.

Então... o tipo ideal serve como um modelo que usamos para comparar com os casos que realmente existem na realidade. É importante lembrar que ao construir um tipo ideal, precisamos nos pautar em racionalidade e lógica, pensar não no que seria bom para você, individualmente, mas nos aspectos essencias daquele fenômeno que vai ser analisado.

Exemplificando: Digamos que vamos estudar a burocracia: Para saber se algum órgão burocrático está funcionando bem, precisamos antes saber quais são os aspectos essenciais de uma burocracia, suas características básicas para um bom funcionamento. Aí pensamos em: eficiência, especialização, impessoalidade e outras características que fazem as pessoas serem atendidas com rapidez, clareza e eficiência. Temos aí um tipo ideal de organização criado por nós, e, mesmo que ele não exista na vida real, agora podemos usá-lo para comparar com os casos concretos, reais. Fazendo isso, descobriremos que temos que repensar nossos modelos de organização, porque a palavra burocracia é sempre usada por nós como sinônimo de algo chato, demorado, pelo qual ninguem quer passar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"O inferno são os outros - Jean Paul Sartre

Olá pessoal tudo bem?

No dia 13/08, a galera da turma 3000 e eu conversamos sobre a questão de identidade. Vimos que a(s) identidade(s) de um indivíduo se define(m) pela sua interação com indivíduos, culturas e grupos.

Chamamos de etnocentrismo o fenômeno pelo qual nosso grupo passa a ser o centro do mundo e todos os outros grupos são analisados, percebidos e questionados a partir dos nossos valores. Podemos dizer que o etnocentrismo tem uma dificuldade em olhar/refletir as diferenças.

Essa dificuldade da visão etnocentrica faz com que o diferente seja sempre visto como estereotipado, ridicularizado, caricaturado. Esse comercial do vídeo é um exemplo:



Programas humorísticos como o Zorra Total também sempre mostram os personagens estereotipados: o caipira, o malandro, o funkeiro, o suburbano, entre mil outros exemplos.

O oposto do etnocentrismo seria o relativismo cultural. Nessa linha de pensamento, todos os tipos de cultura são iguais em valor e devem ser olhados dentro de seus contextos. Aqui todo ponto de vista é válido e toda cultura é relativa. A questão é aceitar as diferenças dos outros grupos como uma questão de opção e não em uma escala de valores.

Então o etnocentrismo é ruim, o relativismo cultural é o máximo e ponto final? Não é bem assim. A grande questão se coloca agora: até que ponto devemos tolerar atitudes em nome do relativismo? Até que ponto devemos ser etnocentricos por uma questão de valorizar nossa identidade?

Essa discussão foi colocada em sala de aula. Mas a caixinha de comentários continua livre pra quem quiser se expressar...

sábado, 14 de agosto de 2010

"O homem nasceu para ação, tal como o fogo tende para cima e a pedra para baixo." Voltaire

Oi pessoal. Esse post é sobre a primeira aula do bimestre na turma 2000: Max Weber e a ação social. Vamos ao que interessa:

Weber rompe com a ideia de sociedade de Comte e Durkheim, que achavam que a a sociedade era algo superior e exterior aos indivíduos, um organismo vivo e interligado, que exerce poder sobre os indivíduos.

Para Weber, a sociedade é formada pelo conjunto das ações indivíduais. As minhas atitudes + as suas + a do nosso vizinho e assim por diante, formam a sociedade. No entanto, para ter um sentido social, essas ações precisam ser dotadas de sentido para todos aqueles que estão envolvidos nela.

Um exemplo: Se você não souber o que é o dinheiro, qual sua utilidade na sociedade, este perde o seu sentido e passa a ser um pedaço de papel como outro qualquer. Uma gíria é outro exemplo disso: Se, numa roda de amigos, alguem usa uma gíria que você não conhece, aquilo não faz sentido, você fica sem entender o significado da frase, certo?

A partir disso Weber define a ação social como objeto da sociologia. A ação social é uma conduta humana dotada de valores. Cada indivíduo age por um motivo que se orienta por um valor, que pode ser tradicional, racional ou emotivo/afetivo.

Assim, são 4 os tipos de ações sociais:

a) Ação Racional com respeito a fins
b) Ação Racional com respeito a valores
c) Ação Afetiva ou Emocional
d) Ação Tradicional

Os exemplos de cada ação foram dados em sala de aula. Ou vocês querem tudo de "mão beijada" aqui no blog? :)

Vejam aqui um exemplo de como a tradição denota significado às ações de uma sociedade.

Bom fim de semana, pessoal!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pessoal, esse post é sobre a aula de sociologia que dei hoje na turma 3000. Falamos sobre a questão da identidade. Quem somos nós, afinal?

A identidade é uma interação do sujeito com outros sujeitos e com a cultura na qual se está inserido. O "eu interior" muda a partir do(s) contato(s) que estabelecemos com outro(s) indivíduo(s) e com outro(s) meio(s) de cultura também.

O estudo dos processos de interação dos indivíduos com outros indivíduos e com meios culturais chama-se interacionismo simbólico. O foco do interacionismo simbólico concentra-se, justamente, nos processos de interação social - que ocorrem entre indivíduos ou grupos - mediados por relações simbólicas.

1) o modo como um indivíduo interpreta os fatos e age perante outros indivíduos ou coisas depende do significado (ou significados) que ele atribui a esses outros indivíduos e coisas; 2) o significado, porém, é resultado dos (ou é construído a partir dos) processos de interação social; e 3) os significados podem sofrer mudanças ao longo do tempo.

Existe uma enorme variedade de interações sociais que ocorrem de modo a formar coletividades separadas, que levam à constituição de determinados grupos sociais, cada qual com suas regras e normas de conduta, validadas e aceitas pelos indivíduos que os compõem. Por isso que respondemos "pode crer" para o amigo e "sim senhora" para nossa mãe.

As interações sociais, porém, são processos dialéticos, pois os indivíduos constroem os grupos e coletividades sociais dos quais fazem parte, mas, ao mesmo tempo, esses grupos e coletividades interferem na conduta do indivíduo. Então, quem somos nós depende de com quem relacionamos e do grupo social em que estamos inseridos. E isso muda a todo momento: no CEFA, em casa, na academia, em festas... Cada meio cultural pede um tipo de atitude e comportamento, que acaba transformando - ainda que momentâneamente - nossa identidade.

"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo..."
Concordam com Fernando Pessoa?

Ordem e Progresso!

E aí pessoal? Tudo certo? Estou devendo alguns conteúdos aqui no blog, então vamos direto ao(s) assunto(s):

Augusto Comte e o Positivismo

Essa aula foi dada dia 11/08 na turma 1000 e dia 13/08 na turma 1001.

A essência da filosofia de Comte está na ideia de que a sociedade só pode ser viável se reorganizada através de uma completa reforma intelectual do homem. Comte acreditava ser necessário fornecer aos homens novos hábitos de pensar de acordo com o esta­do das ciências de seu tempo.

A contribuição principal de Comte à filosofia do positivismo foi sua adoção do método científico como base para a organização política da sociedade industrial moderna. Ordem e Progresso eram os lemas do Positivismo. Não há progresso sem ordem e quando o progresso chega, não pode colocar a ordem em risco.

O estado positivo corresponde à maturidade do espírito humano. O termo positivo designa o real em oposição ao quimérico, a certeza em oposição à indecisão, o preciso em oposição ao vago. É o que se opõe as formas teológicas ou metafísicas de explicação do mundo.

Não era apenas quanto ao método de investigação que a filosofia positivista se aproximava das ciências da natureza. A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de partes integradas e coesas que funcionavam harmonicamente. Por isso o positivismo foi chamado também de física social.

Em sua Lei dos três estados, Comte teoriza que o desenvolvimento intelectual humano havia passado historicamente primeiro por um estágio teológico, em que o mundo e a humanidade foram explicados nos termos dos deuses e dos espíritos; depois através de um estágio metafísico transitório, em que as explanações estavam nos termos das essências, de causas finais, e de outras abstrações; e finalmente para o estágio positivo moderno. Este último estágio se distinguia por uma consciência das limitações do conhecimento humano.

Lei dos Três Estados – características

Estado Teológico

Estado Metafísico

Estado Positivo

- tudo tem origem no sobrenatural
- época dos sacerdotes e militares
- domínio da organização militar

- tudo tem origem na razão, na natureza e em forças misteriosas|
- época jurídica
- prevalece a organização jurídica

- ciência substitui a razão, natureza e forças misteriosas
- época industrial
- predomínio do intelectual, principalmente o sociólogo|- a economia se junta à sociologia para, juntas, guiarem os destinos da organização social

Comte tentou também uma classificação das ciências; baseada na hipótese que tinham se desenvolvido a partir da compreensão de princípios simples e abstratos, para daí chegarem à compreensão de fenômenos complexos e concretos. Assim as ciências haviam se desenvolvido a partir da matemática, da astronomia, da física, e da química para atingir o campo mais complexo da biologia e finalmente da sociologia. De acordo com Comte, esta última disciplina, a Sociologia, não somente fechava a série, mas também reduziria os fatos sociais a leis científicas, e sintetizaria todo o conhecimento humano, como ápice de toda a ciência.


Nas próximas aulas falaremos a respeito da influência do positivismo no Brasil. Deixo aqui um aperitivo